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Para educar suas IAs, Facebook invade a privacidade dos usuários

Definitivamente, é uma aventura ser usuário do Facebook. A ousadia recentemente divulgada pela Reuters, sobre a rede social, não deixa dúvidas. A história é que, em 2018, 260 pessoas foram contratadas na Índia para categorizar postagens feitas no Facebook – inclusive aquelas que não são públicas.

Nesse processo, os funcionários acessaram milhões de fotos, atualizações de status e outros conteúdos publicados desde 2014. Em seguida, categorizaram os itens de acordo com cinco “dimensões” – como o Facebook os chama. As dimensões incluem o assunto do post – comida, selfie, animal, entre outros –, a ocasião e a intenção do autor. Segundo informações do Facebook à Reuters, a ideia é entender o que os usuários postam, para que possam desenvolver novos recursos, aumentando o uso e a receita de anúncios.

O trabalho foi feito pela empresa Wipro. Foram eles, inclusive, que deram as informações para a Reuters – sob condição de anonimato, é claro. Mais tarde, o Facebook confirmou detalhes do projeto. A empresa terceirizada não está sozinha, porem. Segundo a agência de notícias, há cerca de 200 projetos de rotulagem de conteúdo acontecendo no Facebook. Milhares de pessoas são contratadas com esse objetivo e muitos dos projetos têm o objetivo de “treinar” o software que determina o que aparece nos feeds de notícias dos usuários, potencializando a inteligência artificial que funciona por trás de muitos outros recursos.

Questões regulatórias

Como aponta a Reuters, o programa pode criar (mais) problemas de privacidade para o Facebook. Por mais que a empresa afirme que se esforça para que as expectativas de privacidade sejam seguidas, um ex-gerente privacidade do Facebook, também sob condição de anonimato, disse à agência de notícias que se sente desconfortável com o fato de as mensagens dos usuários serem examinadas sem que houvesse uma permissão explícita.

Isso inclusive vai de encontro às regras da GDPR. De acordo com a regulamentação, o objetivo da empresa ao usar os dados precisa ser explicitado. Porém, não está clara a forma como a GDPR será interpretada e se a invasão de privacidade será percebida como problemática.

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