Seminário de BOTS e I.A.

Deu ruim: gurus, oráculos e astrológos serão também vítimas dos algoritmos?

Por Jacques Meir

Esse texto foi pensado para emitir uma opinião, fruto de experiência acumulada, observação, leitura e um certo pendor para o risco. A questão central é o alcance convenientemente ignorado dos limites da Inteligência Artificial (IA).

Estamos vivendo a infância desses sistemas e, assim, estamos estimulando essas tecnologias a experimentar de tudo um pouco, como fazemos com bebês que ensaiam seus primeiros passos. Em sua face relacional, as IAs são os motores dos bots, robôs que proliferam nos contact centers com nomes amigáveis e trazem respostas pré-programadas para perguntas recorrentes e alguma capacidade de aprendizado.

Esses ensaios mal tocam ou iluminam a revolução que mudará nossa forma de consumir, pensar, agir, trabalhar e viver. Há extensa literatura disponível para quem quiser dimensionar a extensão do poder da tríade Algoritmos-IAs-Bots, de Yuval Noah Harari a Clemente Nobrega, de Peter Diamandis a Michael Wade.

Pouparei os leitores da redundância de informação. Interessa aqui especular sobre a disrupção que afetará uma das indústrias mais rentáveis da atualidade: a dos palpiteiros profissionais. Sim, gurus, oráculos e astrólogos podem começar a se preocupar, pois em breve bots tomarão os seus lugares oferecendo previsões estatísticas, cenários prováveis e até Insights desconcertantes sem recorrer aos “achismos”, “intuições” e “mapas astrais” que hoje misturam-se ao apego tão humano pelo pensamento mágico.

Um guru consegue, por meio de talento e técnica persuasiva, disseminar um conjunto semideias restrito. Tal e qual um produto, o guru se apropria de uma “caixinha” e vira referência do assunto. Foi assim com Tom Peters com a inovação no fim do século passado. Hoje, temos o guru do marketing, da competitividade, dos hábitos eficazes, das organizações que aprendem e por aí vai. O guru domina o assunto, oráculo domina as previsões e os cenários (normalmente nunca verificados quando o futuro chega de fato) e os astrólogos sempre encontram uma configuração astral para satisfazer curiosidades e ansiedades.

O truque aqui é antigo e incrivelmente eficaz: um trabalho narrativo incessante sobre o o viés de confirmação, um dos vícios mais humanos. Claro, nada contra o fato de profissionais dos palpites ganharem a vida dizendo exatamente o que se quer ouvir de uma forma surpreendente ou embalada de modo atraente. Mas o palpite é um exercício jocoso de “chutometria” baseado nas nossas crenças e verdades. Você só acredita naquilo que tem coincidência com o que você pensa e essa forma de pensar anda mais evidente ainda em tempos de redes sociais e de opções simplistas sobre ser contra ou favor, gostar ou não gostar, curtir ou não curtir.

Então, o viés de confirmação vitamina o negócio de muita gente que se especializa em criar narrativas (que fazem sentido, mas não necessariamente têm validade probatória) e ainda por cima orientam (ou influenciam) decisões em “n” empresas de todos os tamanhos e segmentos.

Mas, agora – e isso não é previsão –, existem os bots. E, fatalmente, por questão de governança, inteligência, necessidade ou vontade, muitas empresas vão recorrer a bots e IAs para orientar a tomada de decisões. Um bot não nasce sabendo nada de gestão. Um bot tampouco pode ser ensinado, mas pode e deve ser treinado. Isso quer dizer que um sistema de IA assimila e aplica de modo incremental toda a informação que nós passamos para ele. No campo da gestão, isso representa desenvolver um método de incorporação de informações para criar níveis de aconselhamento crescentemente superiores. Com treino, um sistema de IA, um bot, mimetiza o cérebro humano, mas com um ganho decisivo: a eliminação do viés e, sem viés, uma empresa terá decisões melhores e não palpites.

Como exposto acima, esse texto corre um risco: ele pretende persuadi-lo de que em algum momento futuro, provavelmente contando a partir de cinco anos de hoje, o espaço dedicado aos palpiteiros profissionais ficará mais e mais limitado, o que aumentará exponencialmente a competitividade das empresas. Muitas delas, as que ficarão pelo caminho, terão se rendido ao canto das sereias da “gurulândia”. É bem possível que nesse ambiente sobressaiam-se até mesmo arranjos postiços que combinem “IAs com oráculos”. Serão tentativas de preservar a validade da narrativa dos palpiteiros.

Mas, em ambientes de alta competição, não será possível contar com este apoio que conquistou seu espaço na aurora dos tempos e que, como centenas de outras ocupações e atividades, tem agora que se defrontar com o inimigo formidável. É preciso encarar o poder dos bots e fazê-lo de forma mais madura, orgânica e intensa. O fundamento é buscar decisões realmente qualificadas, essencialmente consistentes. Até onde os bots podem evoluir? Essa pergunta eles poderão responder daqui a uns anos. Se você tiver dúvida, pergunte ao seu oráculo de plantão.

Esses ensaios mal tocam ou iluminam a revolução que mudará nossa forma de consumir, pensar, agir, trabalhar e viver. Há extensa literatura disponível para quem quiser dimensionar a extensão do poder da tríade Algoritmos-IAs-Bots, de Yuval Noah Harari a Clemente Nobrega, de Peter Diamandis a Michael Wade.

Pouparei os leitores da redundância de informação. Interessa aqui especular sobre a disrupção que afetará uma das indústrias mais rentáveis da atualidade: a dos palpiteiros profissionais. Sim, gurus, oráculos e astrólogos podem começar a se preocupar, pois em breve bots tomarão os seus lugares oferecendo previsões estatísticas, cenários prováveis e até Insights desconcertantes sem recorrer aos “achismos”, “intuições” e “mapas astrais” que hoje misturam-se ao apego tão humano pelo pensamento mágico.

Um guru consegue, por meio de talento e técnica persuasiva, disseminar um conjunto semideias restrito. Tal e qual um produto, o guru se apropria de uma “caixinha” e vira referência do assunto. Foi assim com Tom Peters com a inovação no fim do século passado. Hoje, temos o guru do marketing, da competitividade, dos hábitos eficazes, das organizações que aprendem e por aí vai. O guru domina o assunto, oráculo domina as previsões e os cenários (normalmente nunca verificados quando o futuro chega de fato) e os astrólogos sempre encontram uma configuração astral para satisfazer curiosidades e ansiedades.

O truque aqui é antigo e incrivelmente eficaz: um trabalho narrativo incessante sobre o o viés de confirmação, um dos vícios mais humanos. Claro, nada contra o fato de profissionais dos palpites ganharem a vida dizendo exatamente o que se quer ouvir de uma forma surpreendente ou embalada de modo atraente. Mas o palpite é um exercício jocoso de “chutometria” baseado nas nossas crenças e verdades. Você só acredita naquilo que tem coincidência com o que você pensa e essa forma de pensar anda mais evidente ainda em tempos de redes sociais e de opções simplistas sobre ser contra ou favor, gostar ou não gostar, curtir ou não curtir.

Então, o viés de confirmação vitamina o negócio de muita gente que se especializa em criar narrativas (que fazem sentido, mas não necessariamente têm validade probatória) e ainda por cima orientam (ou influenciam) decisões em “n” empresas de todos os tamanhos e segmentos.

Mas, agora – e isso não é previsão –, existem os bots. E, fatalmente, por questão de governança, inteligência, necessidade ou vontade, muitas empresas vão recorrer a bots e IAs para orientar a tomada de decisões. Um bot não nasce sabendo nada de gestão. Um bot tampouco pode ser ensinado, mas pode e deve ser treinado. Isso quer dizer que um sistema de IA assimila e aplica de modo incremental toda a informação que nós passamos para ele. No campo da gestão, isso representa desenvolver um método de incorporação de informações para criar níveis de aconselhamento crescentemente superiores. Com treino, um sistema de IA, um bot, mimetiza o cérebro humano, mas com um ganho decisivo: a eliminação do viés e, sem viés, uma empresa terá decisões melhores e não palpites.

Como exposto acima, esse texto corre um risco: ele pretende persuadi-lo de que em algum momento futuro, provavelmente contando a partir de cinco anos de hoje, o espaço dedicado aos palpiteiros profissionais ficará mais e mais limitado, o que aumentará exponencialmente a competitividade das empresas. Muitas delas, as que ficarão pelo caminho, terão se rendido ao canto das sereias da “gurulândia”. É bem possível que nesse ambiente sobressaiam-se até mesmo arranjos postiços que combinem “IAs com oráculos”. Serão tentativas de preservar a validade da narrativa dos palpiteiros.

Mas, em ambientes de alta competição, não será possível contar com este apoio que conquistou seu espaço na aurora dos tempos e que, como centenas de outras ocupações e atividades, tem agora que se defrontar com o inimigo formidável. É preciso encarar o poder dos bots e fazê-lo de forma mais madura, orgânica e intensa. O fundamento é buscar decisões realmente qualificadas, essencialmente consistentes. Até onde os bots podem evoluir? Essa pergunta eles poderão responder daqui a uns anos. Se você tiver dúvida, pergunte ao seu oráculo de plantão.

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